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PERSONAL FICA OBESO PARA ENTENDER O JEITO GORDO DE SER. P/OTTO FREITAS.

PERSONAL FICA OBESO PARA ENTENDER O JEITO GORDO DE SER. P/OTTO FREITAS.

Tem personal trainer de todo tipo. Há o paciente, compreensivo, quase um psicólogo, geralmente magro, como Dom Filipe, o treinador de Jeffinho. O mais comum, no entanto, é aquele tradicional professor de academia, todo malhadão, que conduz as aulas como se fosse uma sessão de tortura.

Seja lá como for, o fato é que nenhum deles entende a cabeça e a alma de um gordo – e, ao que parece, nem se esforça para isso. O americano Drew Manning, de Utah, se revelou uma exceção à regra (Veja nº 39, 24/9/2014). Ele resolveu se colocar “na pele de um gordo”. Engordou para depois emagrecer, pois queria saber por que muitos dos seus alunos resistiam em adotar um estilo de vida saudável.

Manning passou seis meses fazendo uma dieta superalimentar, de 5.000 calorias/da, e zero de atividade física. Em seis meses passou de 87 para 122 quilos. O abdômen lavanderia deu lugar a uma enorme barriga. Depois, levou mais seis meses para voltar ao peso original, com uma dieta de 3.000 calorias/dia e um rotina de exercícios físicos diários.

Suas conclusões sobre a experiência estão no livro que acaba de publicar no Brasil (Ganhar para Perder, da editora Agir). Na matéria da revista Manning diz que no começo foi tudo muito divertido. “Nos dois primeiros meses fui tomado pelo prazer de comer o que quisesse. A sensação de liberdade foi incrível”.

O personal trainer americano engordou rapidamente e logo entrou para o grupo de risco de doenças cardiovasculares. “Eu me sentia horrível, tanto física quanto psicologicamente. Apesar do sofrimento, o estilo de vida gordo tornou-se extremamente confortável”. Enquanto comia, era acometido por uma sensação de extrema felicidade. Mas ficava péssimo depois de comer.

Manning pode assim compreender como é difícil mudar. “É, de fato, um desafio conseguir disposição para alcançar esse objetivo. É, obviamente, muito mais fácil comer o que se tem vontade. Acabamos presos a um circulo vicioso. Quando ele é interrompido, o organismo reclama”.

Para voltar a emagrecer, retomou a alimentação equilibrada e os exercícios físicos. “Não foi fácil. Sempre gostei de comer salada, por exemplo. Mas, ao voltar a esse hábito, as verduras e os legumes tinham gosto de comida para cachorro. Não encontrava prazer nos alimentos saudáveis. Eles me pareciam sem sabor”.

Ao final, Manning concluiu que a batalha do gordo é mental e emocional. E afirma: “O vício, o apego emocional à comida são muito mais poderosos do que jamais poderia supor”.

Acontece, Mr. Manning, que não basta ficar gordo por um tempinho só. É preciso ser gordo verdadeiro para compreender seu universo; ou, pelo menos, mergulhar, sinceramente e sem preconceito, na cabeça, na alma e no coração do gordo, para tentar desvendar os seus mistérios.

Sobre Otto Freitas

Otto Freitas (otto.freitas@terra.com.br) é jornalista, formado pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. Tem larga experiência na imprensa baiana, incluindo jornais diários, revistas e emissoras de TV. Atua atualmente na área de comunicação corporativa e jornalismo digital. Esta coluna é publicada também pelo site de notícias Bahia Já (bahiaja.com.br).